Maio Amarelo: no trânsito, o sentido é a vida

Atitudes simples podem contribuir na prevenção de lesões ocasionadas por esses eventos

TRE-SE Maio Amarelo 2021
TRE-SE Maio Amarelo 2021

As lesões ocorridas no trânsito são um problema de saúde pública negligenciado. Estima-se que 1,2 milhão de pessoas morram e que até 50 milhões sejam feridas no mundo, anualmente, devido a acidentes de trânsito.

Além do prejuízo emocional, o acidente traz também um prejuízo econômico difícil de quantificar. Cada sinistro tem os custos com socorro, combustível, seguro, leito de hospital, medicamentos, afastamento de trabalho, indenizações e com a previdência. No Brasil, cerca de R$ 50 bilhões são gastos anualmente por conta da violência no trânsito. Esse dinheiro poderia ser usado para construir 28 mil escolas de educação básica – a R$ 2 milhões cada – e 1,8 mil hospitais de R$ 30 milhões.

Instaurado a partir de uma Assembleia Geral das Nações Unidas, o Movimento Maio Amarelo nasceu então com a proposta de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortos e de feridos no trânsito em todo o mundo.

Atitudes simples podem contribuir na prevenção de lesões ocasionadas por esses eventos. Não usar celular enquanto dirige, por exemplo, evita acidentes. Há evidências de que o uso de telefone ao volante aumenta em até 400% o risco de acidente. Pesquisas demonstram que, ao falar ao telefone, o tempo de reação dos motoristas aumenta de 0,5 a 1,5 segundo.

Outro fator de risco modificável é a fadiga do condutor. Um estudo conduzido na Nova Zelândia mostra que a incidência de acidentes de trânsito poderia ser reduzida em até 19%, caso as pessoas evitassem dirigir ao se sentirem sonolentas, após dormirem menos de cinco horas nas 24 horas anteriores ou entre as 2h e 5h.

Em relação aos veículos, a concepção de veículos cujos desenhos das partes dianteiras sejam menos lesivas aos pedestres nos casos de atropelamento reduziria os impactos desse tipo de acidente. O Comitê Europeu para a Melhoria da Segurança de Veículos estima que, se fosse exigida a aprovação de veículos nos testes de desempenho das frentes dos veículos, os números anuais de mortes e de lesões graves a pedestres e a ciclistas na Europa cairiam em 20%.

Outra medida aplicável é a adoção de sistemas que travam a ignição quando detectam álcool proveniente do hálito dos motoristas. Em muitos estados dos Estados Unidos e em algumas províncias no Canadá, já há leis que exigem a instalação desses dispositivos nos carros de condutores que infringiram repetidamente as leis referentes à direção sob efeito de álcool.

Já no que diz respeito ao ambiente, traçados viários inseguros e infraestrutura às margens das vias inadequadas para proteção contra os choques são exemplos de fatores de risco para acidentes de trânsito. Estratégias como dar prioridade a veículos com maior ocupação de pessoas por meio de faixas exclusivas e impedir o acesso de pedestres e ciclistas às rodovias de alta velocidade contribuem para a prevenção de acidentes.

A segurança no trânsito é uma responsabilidade compartilhada e merece, assim, a atenção de toda a sociedade, notadamente em razão da magnitude dos impactos que os acidentes de trânsito representam para a saúde pública, além dos custos sociais e econômicos.

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