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Conheça os permacultores, uma tribo que bebe água de chuva, vive em casa de tijolo orgânico e come alimento natural.

Eles têm náuseas e calafrios só com a sugestão de apreciar um refrigerante ou uma comida fast-food. São inimigos declarados, irredutíveis, de grandes corporações que não desenvolvem políticas de proteção e de conservação do meio ambiente. Muitos deles vivem em núcleos rurais, as ecovilas, onde o cultivo de produtos orgânicos garante a subsistência dos moradores. Constroem casas com matérias-primas retiradas da natureza, como barro, argila, madeira de reflorestamento e palha. Nessas habitações, a luz solar ilumina o ambiente e a água da chuva é aproveitada para banho e limpeza. Eles têm como dogma reciclar tudo o que consomem. São os adeptos da permacultura, um movimento que vem ganhando seguidores em todo o mundo, inclusive no Brasil.

O objetivo da tribo – numa linguagem, digamos assim, permacultura – é alcançar a harmonia sustentável do homem com o meio que vive.

O movimento emergiu dos anseios e das angústias do pesquisador e naturalista australiano Bill Mollison. Preocupado com os rumos que o homem dava ao mundo, Mollison desenvolveu as bases de um projeto de sociedade em que as pessoas consumissem produtos saudáveis, vivessem solidariamente em comunidade, produzissem e repartissem o fruto de sua labuta e utilizassem com sabedoria aquilo que a natureza oferece.

Discípulo de Mollison e um dos pioneiros de permacultura no Brasil, o ambientalista André Soares é o idealizador do Ecocentro Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado, situado em Pirenópolis (GO). Na bela cidade goiana estão aplicados todos os conceitos imaginados por Mollison. Os legumes e hortaliças são produzidos sem o uso de agrotóxicos. As habitações são feitas de tijolos de um barro nativo. Toda a água consumida vem da chuva e a energia é captada por meio de baterias solares. Drogas, bebidas alcóolicas e cigarro não são vetados, mas é melhor evitar. André Soares vê a permacultura como o caminho mais curto e objetivo para a solução dos problemas sociais e ambientais do planeta. Caso contrário, teme que o mundo possa se transformar em um gigantesco Haiti.

“Estive no Haiti recentemente e vi o fracasso de uma sociedade. Foi um viagem para o futuro. Ou fazemos algo – e logo – ou veremos vários Haitis espalhados por aí”, diz André. Preocupado com o destino da humanidade, a ator Marcos Palmeira também foi conquistado pela filosofia. Ele adota os conceitos e metodologia da causa em sua propriedade, a fazenda Vale das Palmeiras, situada em Teresópolis, na serra fluminense. Lá, o galã planta feijão, brócolis, alface, vagem e inhame, tudo com controle biológico de pragas. É comum vê-lo com a mão na massa. “Comigo não tem essa frescura. Eu aro a terra, planto, ajudo na compostagem do adubo. A permacultura é o futuro.” Caso arrume um espaço na concorrida agenda, o ator estará entre os participantes da 8ª Conferência Internacional de Permacultura, entre 16 e 18 de maio, em São Paulo. São esperados mais de mil especialistas de 30 países, todos os planos, propostas e alternativas para salvar o mundo. Tomara que ainda dê tempo.
Os mandamentos da permacultura: - O cuidado com o planeta deve ser o fundamento de qualquer atividade humana;
- Respeito absoluto pelas pessoas e pelas demais espécies que habitam a terra;
- Os excedentes de produção devem ser partilhados por todos

Fonte: Chico Silva
Publicado na Revista Istoé de 28/3/07, edição nº 1952.

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